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Segunda-feira, Setembro 14, 2009
As semanas com a suposta nova gripe têm tirado o sossego de muitos bon vivants da cidade, eu inclusive. Não consigo me sentir tranquilo com as dezenas, ou centenas de pessoas parecendo médicos com o desfile quase que descabido das horripilantes máscaras cirúrgicas. De repente, também, um outro produto ganhou status em nossa sociedade moribunda por natureza, o álcool em forma de gel. Produto que servia apenas para visitantes usar nas mãos momentos antes de pegar crianças recém-nascidas em maternidades, e também, para substituir a versão clássica, em líquido, que empregadas domésticas costumavam usar excessivamente para simples limpezas, como tirar o pó de mobílias e de aposentados sentados, por exemplo.
Sei de uma coisa, tive que radicalizar nas minhas ações. Os proprietários dos botecos da região onde moro andam confusos... Mais que o normal, pois, não sabem se servem álcool em gel para os clientes comerem ou se dão a eles vodca ou uísque para lavarem as mãos. De qualquer forma, deixei de me aventurar nestes ambientes. Fiquei sabendo que tem gente passando mal com o consumo descabido de produtos descabidos para humanos. Antes que alguém diga que estou exagerando perceba a histeria quase coletiva que está acontecendo, clientes de algumas charutarias da cidade estão usando de criatividade, ainda que da maneira mais ridícula possível, as tais máscaras cirúrgicas estão sendo sumariamente furadas na região da boca para que os charutos possam entrar sem a necessidade de tirá-la da cabeça no ato do fumo. Confesso que fiquei nauseado nas duas vezes que vi este tipo de coisa. Eu disse que era um absurdo.
Julgo que todos ficaram neuróticos. Num dos aviários que tem perto da Praça Rui Barbosa até os animais estão usando a máscara. E movido pela curiosidade perguntei ao proprietário do estabelecimento o porquê desta ação. Disse-me ele que estava com medo de que esta possível nova gripe atacasse os passarinhos, e, com isso, viesse acontecer uma nova mutação, e a partir daí voltasse a gripe aviária ainda mais forte que a versão anterior. Sei que este assunto é um terreno pantanoso de se pisar, e o assunto é um prato cheio para os adeptos das famosas teorias conspiratórias, mas ele pode ter alguma razão em cultivar este medo. Mas de qualquer forma, não deixa de ser maluquice.
Enfim, maluquice ou não, vou parando por aqui. Está na hora do meu remédio, pois não consigo parar de espirrar. Segundo a Olga só poderei voltar para casa quando decidir comprar esta merda de máscara cirúrgica. Se depender de mim para este tipo de coisa nunca mais o pessoal de casa verá minha cara. Mas se depender dos pudins e outros quitutes até faço uma forcinha para desmanchar minha birra, e aí então posso até comprar este ridículo item de segurança, ou proteção, para amarrar na cabeça. Se bobear vou até o quartel onde servi e peço uma máscara contra gases, daquelas arretadas, e aí quero ver eu pegar alguma gruipe ou passar a alguém. Como disse: o negócio é radicalizar. E para lavar as mãos eu quero usar só uísque 12 anos... No mínimo. Álcool em gel? Só se for para matar piolhos ou pentear os cabelos, mas este é o tipo de coisa que nem tenho mais.
Sem dúvida algumas ações são de revirar o estômago. Portanto, enquanto estiver em voga esta nova gripe, fumarei meus charutos em casa mesmo.
Mario Bourges (escriba e porta-voz) - 12:42 [+]
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