Ele está mais velho ainda, mais chato que nunca, mais feio que os outros, mais mau que ele próprio e mais sem-vergonha que qualquer um junto.

Coluna do Comendador Baltazar Vol.III

Creio que todos já saibam qual seja o conteúdo deste endereço, então não vou me cansar ou cansar os leitores com redundâncias ou redondices. O que desejo aos visitantes de agora em diante é que tenham uma ótima distração, ou, que simplesmente não me aborreçam.
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Quinta-feira, Novembro 06, 2008



Introdução

Tenha em mente apenas uma coisa enquanto estiver se dedicando à leitura deste manual; esqueça os pudores. A vergonha é o tipo de coisa, ou palavra, que deixa de existir para um aposentado. Este negócio de padrões, regras, tabus ou qualquer outra besteira que por ventura alguém venha te dizer, é pura inveja, pois agora (pausa para uma baforada no charuto comprado em lojas de artigos de umbanda) pois agora você pode tudo... Ainda que te digam o contrário, pelo fato de você não contribuir como dantes, ou simplesmente não contribuir mais. O ruim de tudo isto, e talvez seja até a pior parte, ser taxado de aproveitador de dinheiro daqueles que começam agora suas tolas e já fracassadas carreiras profissionais.

E após tanto diz que diz, faz que faz ou não faz este manual praticamente caiu de pára-quedas em seu colo frouxo e debilitado. Sendo assim aproveite-o, e faça valer seus direitos. A regra é válida àqueles que já completaram 60 anos de idade. Um exemplo disto é o tal do banco do ônibus dedicado aos idosos, a maioria das pessoas não gosta de ceder seu lugar a estes seres usurpadores de lugares, dinheiros e paciências, mas o fato é que você já faz parte deste time. Então pare de bancar o santinho, o comportado, o seguidor de regras, o bobão, o otário. O grande lance é (pausa para mais uma baforada no charuto vagabundo), o grande lance é (pausa para tentar acender novamente o charuto que se apagou não se sabe se foi por causa do longo espaço de tempo entre uma baforada e outra, ou se foi por causa da baba que escorreu até a cinza)... O grande lance é saber aproveitar a situação que criaram para você.

Tais direitos se estendem até o aconchego de seu lar. Todos sabemos que atualmente não se encontra mais tão aconchegante assim. Porém, anteriormente você era tido como uma pessoa bem quista, disciplinada, um exemplo vivo para a humanidade, e até como um tipo de herói. Todos sabemos disto também. Mas hoje você é visto como apenas mais um na família, um custo elevado para a sociedade ou para a humanidade. A vantagem, perante os outros que moram sob o mesmo teto que você é, sem dúvida, o tratamento diferenciado que recebe no momento das refeições; sempre come por último e sozinho, ou seja, a mesa é toda sua, desde que sobre alguma coisa para usufruí-la com esta exclusividade, claro.

Em vista da enorme quantidade de tópicos, ou itens ou seja lá o que for, criados ao longo dos tempos, selecionei uns poucos para servir de referência a você, leitor interessado em descobrir as maravilhas da vida desregrada e pouco agitada de uma aposentadoria (pausa para tentar acender novamente o charuto... sem chances; a coisa toda molhou com a boca enquanto esta vertia saliva. Definitivamente não deu certo de acender)... De uma aposentadoria justa ou injusta, por validez ou invalidez, certa ou errada... Enfim, de uma aposentadoria (e o charuto foi arremessado num pequeno vaso cheio de trincas que estava ao lado).

Eis aqui, então, as dicas, ou itens, pelo menos um pouco deles, que mencionei há pouco:

- Em fila de aposentado (banco, supermercado, farmácia e seja lá mais o que for) ninguém é de ninguém e todos têm o mesmo direito que você, portanto não adianta espernear a fim de facilitar tua vida. É para estes momentos que o manual foi criado, pois, se depender da habilidade dos atendentes, moribundos por excelência, para dar conta de todos que estão na fila, você certamente enfartará de raiva.

A dica é a seguinte:

Acenda um fio químico ou qualquer outra coisa que produza cheiros nauseantes. Logicamente que tal produto não pode ter um cheiro muito forte, por que senão corre o risco de todos caírem fora do lugar, inclusive você. E aí então teu plano irá por água abaixo. Lembre-se que a intenção é afugentar o máximo de gente que está na tua frente e NA FILA da qual você esteja. Continuando, aqueles que sobraram certamente já pensaram em fazer a mesma coisa que fez para diminuir a fila. Isto denota que são profissionais de fila... Ã... Bom, de duas uma, ou já estão acostumados com seus próprios flatos altamente aromatizados, aromas estes de baixo calão, ou andam equipados com máscaras de oxigênio próprias para estas ocasiões... Mas digamos que esta hipótese seja muito pouco provável de ser verdadeira.

- Em bares bacanas é difícil encontrar aposentados e coisa e tal. Normalmente jovens freqüentam lugares assim. As opções para os velhos acabam sendo os botecos de bairros ou aqueles onde são apinhados de peões de trecho. Mas quanto a estes são mais fáceis de evitar, pois geralmente estão localizados nas imediações de rodoviárias.

A dica é a seguinte:

Faça-se de desentendido. Se estiver com vontade mesmo de ir a um destes bares da moda ignore os seguranças que ficam na entrada. Na certa eles pensarão que você está procurando o filho(a) ou neto(a) naquele estabelecimento. Então te deixarão entrar. Bom, ignore os jovens que zombam da tua cara e ignore, também, os garçons que já estão te ignorando antes mesmo da tua entrada no lugar propriamente dito. Agora, se ainda quiser continuar lá dentro, e ainda, quem sabe, consumir alguma coisa, e, quem sabe também, fazer um charminho, só para dizer que está "tirando onda" dos que lá estão, crie um tumulto, mas para sua própria segurança, que não seja muito grande.

Tumultos muito grandes costumam sobrar cadeiras, ou o que sobrar delas, para todo mundo (pausa para comer uns amendoins). E isto (pausa para uma ou duas ou três tossidinhas, e qual o motivo dessas tossidas? Tentar tirar os amendoins que engataram na garganta)... Ã... E isto, definitivamente não é bom para você, pelo fato de que, se o pau comer pra valer tua estratégia de se dar bem no barzinho bacana irá, por mais uma vez, por água abaixo. A idéia é criar um tumultozinho apenas, coisa facilmente controlável, só para que você desenvolva um grau de intimidade com os que estão à tua volta, se estiver alguém sentado ao teu lado, claro. Caso contrário, se for para ficar isolado numa mesa ou num balcão sozinho tanto faz, pode provocar qualquer confusão e cair fora de lá. Só para ver a pancadaria de fora do boteco. Mas tem um detalhe: o melhor lugar para ver estes espetáculos fica do outro lado da rua. O espectador costuma ter uma ampla visão dos fatos e o que é melhor, está livre de levar uma cadeirada no lombo ou uma garrafada na cabeça.

Bom, o negócio é o seguinte: chega de dicas, ou seja lá qual for o nome para estas coisas. Se quiser ler mais disto compre o livro... Onde? Onde quiser, procure por aí, oras. Eu é que não vou ficar aqui, respondendo perguntinhas previsíveis ou estúpidas.


Assim costumam ficar as pessoas que lêem minhas dicas, ou ítens ou seja lá qual for o nome disto.

Mario Bourges (escriba e porta-voz) - 00:55 [+]
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