Ele está mais velho ainda, mais chato que nunca, mais feio que os outros, mais mau que ele próprio e mais sem-vergonha que qualquer um junto.

Coluna do Comendador Baltazar III

Creio que todos já saibam qual seja o conteúdo deste endereço, então não vou me cansar ou cansar os leitores com redundâncias ou redondices. O que desejo aos visitantes de agora em diante é que tenham uma ótima distração, ou, que simplesmente não me aborreçam.
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Quinta-feira, Agosto 14, 2008



Havia um motivo para eu ficar em casa naquela tarde, e tal motivo surgiu pela ausência total de coisas para fazer na rua. Os cafés já não têm tanta graça, ainda mais sozinho. Meus amigos, outrora ativos e unidos, encontram-se imersos em problemas senis. O Azambuja, por exemplo, saiu por esses dias de sua segunda internação em uma clínica psiquiátrica. Eu sabia que aquela história de ajeitar os objetos compulsivamente a seu bel prazer um dia resultaria em sucessivas internações. Talvez até faça uma visitinha a ele qualquer hora dessas. A chatice é que de última vez que o visitei pouca coisa agradável guardo na memória. Se bem que hoje em dia pouca coisa guardo na memória. Esqueço de tudo num simples piscar de olhos... Coisas de idade.

Deixe-me continuar... Ã... Bom... Já contei a vez que eu, meu genro e meu cunhado descemos parte da Estrada da Graciosa com meu fusca derrapando, patinando e rodopiando? Tal episódio deixaria até o James Bond se mordendo de inveja. Não tenho dúvidas sobre isto. E tal barbaridade só aconteceu depois de uma tarde comendo Barreado e tomando cachaça de banana lá em Morretes, ou Antonina... Sei lá, não me lembro onde foi que nos "barreamos". Mas, enfim... Ã... Então, a última vez eu visitei o Azambuja, como ia dizendo, servi de alvo para seus ataques de esquisitice. Todos os botões da minha camisa foram abotoados e desabotoados dezenas de vezes. Segundo a explicação de meu velho amigo, tem que haver harmonia no ato da abotoação. Seja ela feita de baixo para cima ou de cima para baixo. O importante é que haja harmonia. O importante é a harmonia... Sem dúvida.

Até aí, ainda que tal situação pareça chata, consigo contornar minha intolerância, que vive querendo chegar ao seu limite. Contudo, no momento que o Azambuja quis dividir meus cabelos em três hemisférios em quantidades iguais de fios capilares, mais o alinhamento dos pêlos do nariz, que deveriam estar voltados todos para a face Oeste de quem me visse de frente, eu perdi a paciência. Dei um basta na leitura randômica que ele havia se posto a fazer sobre minha faltosa cabeleira. Logicamente que o deixei como o encontrei, alinhando as cadeiras da sala de jantar e da cozinha de sua casa.

Já o Pereirinha encontra-se acamado; uma perna quebrada para ser mais específico. O motivo? Veja: com toda a habilidade que possui, a confiança em si próprio foi demasiadamente exagerada. Dia desses, ele estava conversando com seu alfaiate sobre a confecção de um novo terno quando avistou uma bela mulher num edifício em frente de onde se encontrava. E o que separava um do outro era apenas uma rua passando entre os prédios. Pequeno detalhe este que não intimidou meu ágil amigo. Então, de chofre, saltou para a janela que logo se lançou no vazio, que também, e claro, espatifou-se lá embaixo, pois a janela de onde estava a bela mulher encontrava-se fechada. E a janela estando fechada a situação se tornou difícil, claro. O que aconteceu foi um simples bate-volta. Tudo bem. E olha que depois de tudo o que aconteceu eu já esperava pelo pior, mas o resultado foi menos desastroso daquele que se podia imaginar. Ainda bem. No entanto, o susto foi grande.

Do Adalberto não podia nem devia esperar muita coisa. Após o incidente que resultou na quebra do então lendário rádio de ondas longas, ondas médias, ondas curtas e almost waves que possuía, seu mundo mudou... Para um aparelho mais sofisticado. Dos vários freqüentadores de bares, cafés e farmácias que encontro, isto é, quando os encontro, num destes ambientes já citados, pelo fato de que quase nem apareço mais em locais assim... Ã... Bom, tem alguns que conhecem o Adalberto pré-incidente, e alguns outros que o conhecem pós-incidente. Se bem que os do período do pós, na verdade, não o conhece de fato, pois sua introspecção se tornou crônica. Ainda mais depois que mandou um técnico eletrônico instalar uns auto falantes dentro de sua cabeça. Isto fez com que o mundo tenha se tornado em uma grande onda sonora.

O Beleléu... Ah! O Beleléu... Sempre envolvido em jogatinas, bebedeiras e coisas que não pretam. A vantagem que este me trás, se é que isto seja realmente uma vantagem, é que sempre que quiser conversar com ele eu o encontro em um dos bares da região aqui de casa. Se bem que por esses dias ele parou num pronto-socorro. A causa? Na verdade ele estava abusando no consumo de quitutes botequeiros, ou seja, dos famigerados romópis, dos bolinhos que ora são bolinhos ou quibes, ora são ovos cobertos por uma fina camada de bichinhos e que se fazem passar por bolinhos ou quibes. Tem também as porções de torresmo que, quanto mais cabeludo for o acepipe melhor é. Inclusive, aqueles que apresentam penteados são mais caros.

Tem também o militar aposentado que mora no mesmo prédio que eu... Mas não sei, nos últimos dias tenho visto algumas equipes médicas circulando pelo andar do apartamento dele. Só não consegui identificar se eram médicos do tipo tradicionais ou do tipo psiquiátrico, nem se eram para ele mesmo... Enfim. Falando nisso, até já meu deu vontade de tomar umas cervejas com ele. Além do quê, é muito cômodo para mim, bebo o quanto quiser e não preciso perder meu tempo olhando para carros no momento que for atravessar uma rua ou uma avenida. Basta apenas eu pegar o elevador ou rolar pelos degraus das escadas até chegar no andar onde moro. E depois, se ainda tiver forças, arrasto-me até a porta do meu apartamento e dou uns chutes nela. Se me recolherem, ótimo. Senão, fico ali mesmo, peidando e servindo de cão de guarda... Após ter comido um pedaço de carne envenenada. Ah! Que rima boa, à toa e danada.

Mas é isto. Tenho quase certeza de que a paciência de vocês tenha se esgotado. Digo este tipo de coisa por que a minha já se foi há tempos. E para isto só tem um remédio: terminar com esta história. naturalmente que eu poderia falar de mais alguns conhecidos, do proprietário do bar que às vezes vou quando tem aquelas formidáveis festas, o Odil, por exemplo, que tem como hábito colecionar canivetes, navalhas, lanternas, fios dentais, abajures, carrinhos Matchbox e outras tranqueiras mais que não tem nem valor nem sentido aparente. No entanto... Haja paciência. Mas é isso, vou terminar, vou encerrar, a esta hora, ora, ora... Putz! Preciso urgentemente parar com essas rimas idiotas.


Depois de tanto procurar os amigos e não encontrá-los, bom, até os encontrei, mas às vezes é preferível ficar só... Oras, os pombos são boas opções de companhia. O problema é que cagam para todos os lados, inclusive em você. Mas tudo bem, nem ligo mais para isto.

Mario Bourges (escriba e porta-voz) - 01:27 [+]
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