Ele está mais velho ainda, mais chato que nunca, mais feio que os outros, mais mau que ele próprio e mais sem-vergonha que qualquer um junto.

Coluna do Comendador Baltazar III

Creio que todos já saibam qual seja o conteúdo deste endereço, então não vou me cansar ou cansar os leitores com redundâncias ou redondices. O que desejo aos visitantes de agora em diante é que tenham uma ótima distração, ou, que simplesmente não me aborreçam.
Seja bem-vindo, mais uma vez, à Coluna do Comendador Baltazar III -----> fale com o Baltazar <-----
relíquia do velho
referências e preferências
Comendador Baltazar
Comendador Baltazar II
Valleta Culltural
O Escrevinhador
Blog do Baltazar
APOENICOS
Domínio Público
Site do Escritor
Reduto do Comodoro
Artur da Távola
INFOTO BLOG
Versos e Acordes
BRIARTE
Fina Sintonia
Historietas
MB Fotografias
Fabiana Guedes
La Photo
Rugik
Olga's Gallery
Projeto Esperança Animal
Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem
Greenpeace
Loaded
Sons de Sofia
Wandula
Tom Waits
Kaizers Orchestra
Nick Cave
Calexico
Neko Case
Flogging Molly
Levellers
New Model Army

Sábado, Maio 03, 2008



Dia desses cheguei em casa mas logo tive de sair, estava de saco cheio, não queria ficar lá, só, feito um móvel, pois não tinha ninguém em meu lar. Até o cachorro e o pequeno e poderoso gato haviam saído. Então passei no apartamento daquele militar aposentado que mora no mesmo prédio que eu, mas também tive de sair; havia um forte cheiro misturado de bosta com desodorizador de ar, ou, para ser mais direto, aquele tipo de desodorante que se põe em sanitários para aliviar os cheiros menores produzidos após uma boa sentada no vaso. Bom, então descobri que teria uma reunião de condomínio logo mais; pensei em ir, mas logo desisti, também. Resolvi pegar meu mini, micro aparelho de som com fones de ouvido e fui àquela estúpida praça perto de casa. Por que não quis ir à reunião? Não gosto de ouvir as estúpidas discussões que surgem por nada nessas estúpidas reuniões, ou melhor, runiões; como diz a digníssima e estúpida síndica.

Na praça percebo que os dias passam e aos poucos percebo que minha vida transborda bacia à fora. O que quero dizer com isto? Que sei lá eu, oras. Só sei que me deu vontade de dizer isto. continuando; meu diminuto aparelho de som, muito útil para esses momentos, regava-me com boas músicas enquanto esperava o dia passar. Por que não usava mais o rádio de ondas longas, ondas médias, ondas curtas e almost waves do Adalberto? Oras, por que simplesmente não existia mais. Não lembra que este saudoso aparelho se espatifou no asfalto uma tarde qualquer? E para suprir minha necessidade musical fui obrigado a comprar um. Pois bem. Ã... O dia era segunda-feira, nada em especial deveria acontecer. Pelo menos é o que pensava.

Lá pelas tantas um sujeito magro, estranho e com cara de poucos amigos se sentou no banco ao lado do meu. Até aí, tudo bem, desde que não viesse me encher o saco. Então, sentados estávamos, porém, cada qual em seu próprio banco. Os peidos surgiam sob o efeito pingue-pongue, era lá e cá. Estava divertido até, apesar de não conhecer o sujeito do banco ao lado, nem ele a mim. O que era melhor, pois não queria conversar mais com ninguém, já estava aborrecido. Contudo, um carro de som passou pela praça em velocidade moderada e aos berros gritando meu nome. Fiquei puto, mas me controlei, não queria demonstrar minha putidez. Percebi que o sujeito do lado também estava incomodado, tanto que não parava de beliscar seu próprio saco... Nervosismo, talvez.

E assim que o carro passou pela quarta vez em volta da praça gritando pelo meu nome eu me levantei e xinguei. Nem o Great Lake Swimmers que eu ouvia naquele momento me impediu de fazer o que fiz. Mas tal fato não parou por aí, o tipo ao meu lado também ficou em pé e xingou, depois me olhou espantado, com cara de puto da vida. Que estranho isto, pensei. E acredito que também deva ter pensado o mesmo a respeito. Mas nem me importei. Afinal, não me importo com os outros, principalmente com estranhos. Contudo, aquela situação estava estranha demais para meu gosto, porém me contive. Também não sou de dar trelas a estranhos. Na verdade não é aconselhável parecer oferecido diante de outras pessoas, elas podem interpretar mal... O quê? Como assim interpretar mal? Ora essa, sei lá.

Então, diante daquela situação olhei nos olhos do sujeito e quando fui para fazer uma pergunta o carro de som passou mais uma vez gritando meu nome... Nós dois olhamos enfurecidos para o motorista do tal carro. Percebendo que o cidadão também olhava encolerizado para o veículo barulhento perguntei qual era a relação dele com a máquina ambulante de fazer barulho. Olhou-me de cima de sua magreza, e com seus olhos agudos e sobrancelhas volumosas e bigode parecendo um chumaço de pentelhos grudados na cara perguntou qual era meu nome. Solícito que sou fiz questão de não responder a pergunta, e ainda dei de ombros a esta indagação. Não tenho o hábito de dizer meu nome a qualquer um. Todavia, diante da insistência do indivíduo acabei por responder... Ainda que contrariado.

O caminhão havia dado uma trégua a nós Baltazares. Como assim Baltazares? Oras, o outro sujeito também era Baltazar. E descobri ainda que era meu sobrinho, por parte de meu irmão que ficou perdido no mundo por um longo, longo tempo. E por que nunca mencionei deste meu irmão? Claro que já mencionei, mas foi uma vez só também. Coisa esta que, também, não faz a menor diferença. Descobri que meu sobrinho também não gosta de vizinhos... Digamos que puxou a mim; só que mais feio, claro. Então, passado alguns minutos, a porra do caminhão do som passou mais uma vez gritando meu nome, digo, nossos nomes, em plenos pulmões. Quando estávamos preparados (eu, minha coleção de peles flácidas e meu pé de plástico e mais meu sobrinho, suas sobrancelhas grossas e seu bigode parecendo um chumaço de pentelho grudado na cara) para jogar algumas pedras naquele infeliz desceu do automóvel o Pereirinha num salto pra lá de extraordinário, o Azambuja com suas tradicionais esquisitices e o Odil com uma faixa enrolada em seu corpo. Sendo que tal faixa trazia o nome do bar do qual ele é proprietário.

Abraços fortes e sacolejantes apertos de mãos foram dados. Tudo acompanhado com largos sorrisos estampados em suas faces extraordinariamente alegres. O Odil, para variar, resolveu me presentear com uma festa em seu bar. Ele convidou todos e tudo o que podia e o que não podia; teve apresentações de malabaristas com os rostos maquiados de púrpura com laranja metálico, horríveis por sinal, ainda teve uns bêbados cantantes e dançantes, mas nada galantes. Tinha mais umas coisas lá, mas não me lembro direito o que eram. Contudo, tenho certeza de uma coisa: o ponto principal da noite que, apesar de ser uma segunda-feira, foi a contratação de uma confeiteira boazuda para confeccionar um bolo para a comemoração dos cinco anos do blogue.

O bolo consistia de cinco andares, cada andar tinha um metro de altura, e cada metro equivalia um ano. O formato deste bolo até que era simples, parecia uma escadaria, porém, o que chamou a atenção de todos que passavam na rua foi justamente de ele ser montado na esquina do boteco, pois não cabia dentro do recinto... Ã... Sim; no alto do bolo tinha mais duas gostosas vestidas com blusinhas de cetim e amarradas na região do abdômen, além, é claro, das mini-saias que levantavam com o vento a todo instante. Detalhe este que nenhum dos clientes deixava escapar. E falando em clientes; podia-se ver de tudo lá, desde políticos, sambistas, roqueiros, advogados, médicos, empresários da noite, do dia, da tarde, coçadores de saco de várias idades... Até padres compareceram. Estava uma verdadeira festa. Logicamente que os padres não olharam para as bundas das gostosas de cima do bolo... Pelo menos é o que penso

Agora a grande inovação de todas as festas já realizadas no Distinto Cavalheiro era, sem dúvida, o bolo. Por quê? Oras, era em cima do bolo que serviam o chope, e as boazudas é que tiravam o chope para o pessoal, e a pessoas que lá estavam tiravam suas línguas pra fora no maior exemplo de obscenidade. Bom, quase todas, pois não vi o padre fazer isto. Contudo, aquela situação estava estranha, pois não vi o religioso beber nenhum copo de chope nem fazer nenhum sinal escandaloso para as meninas de cima do bolo, e assim mesmo ele corria a todo instante ao sanitário. E quando saía de lá saía com cara de cansado... Bom, nem sei o que dizer.


Uma coisa me deixou encucado sobre o padre. Ele entrava demais no sanitário... Mas não devia ser nada demais... Oras; eu pensar coisas do religioso... É, é isso; nada demais. Apenas vontade de ir ao sanitário. Talvez para apreciar a reforma que o Odil fez por último.

Bebemos muito naquela noite, e pra variar, perdi meu chapéu, o terceiro talvez, no meio da bebedeira. E também queimei mais uma camisa com cigarros, charutos, cachimbos e outras coisas nem imagino o que seja. Porém o Baltazar, meu sobrinho, viu como são as festas que costumo ir, mesmo com minha coleção de peles flácidas e meu pé de plástico. Então, continuando; à meia-noite um festival de fogos de artifício clareou o céu curitibano, o que deixou o prefeito, o vice, o antecessor deste prefeito com sua guarda pessoal formada por ninjas (guerreiros japoneses que trajam terno preto, camisa branca e gravata cor de abóbora) e o antecessor deste em polvorosa, mais ainda este último, que chegou a requebrar o quadril de um lado para outro como se estivesse dançando mambo ou qualquer coisa do gênero.

Ah, vale dizer que a festa contou com a presença do maestro Matozo e sua orquestra bacana, claro. Bom, e aí, lá pelas tantas, o bolo foi cortado... Pelo menos o que sobrou dele, pois estava todo pisoteado pelas moças e pelos machos que não paravam de babar de bêbados e de tesão. Menos o padre, lógico... É o que continuo a pensar. Em compensação o banheiro era só dele, principalmente no momento em que as dondocas ameaçaram abrir as blusinhas para deixar os seios saltarem e fazer com que os olhos da macharada também saltassem. No entanto, era dado o momento de voltar para casa. Meu lar me chamava, minha cama solicitava minha presença. Podia sentir isto... Além do quê, minha cabeça já parecia um pião rodando, um satélite que gira em torno de um planeta sob a influência de uma graduação alcoólica altíssima... Ai, minha cabeça! Por sorte ainda tinha conseguido uma carona de volta, pois se dependesse de ônibus para voltar sei lá aonde iria eu parar.


Não sei, mas tinha alguma coisa naquele padre que perturbou um bocado naquela noite. E por incrível que pareça continua me perturbando... Por que é que ele ia direto ao sanitário? Ele não bebeu nada além de uma garrafa de água mineral, e nem foi lá fora babar pelas moças como fizeram a maioria dos que lá estavam.

Porém, tal festejo fora feito na segunda-feira, dois dias antes do aniversário do blogue efetivamente falando. Então foi estipulado um tempo de um dia para sarar ou amenizar a ressaca braba, e aí então, mais uma festa surgiu. Ainda bem que a segunda festa foi menor que a primeira, por que senão certamente empacotaria em alguma vala comum. Teve bolo também, mas não foi tão escandaloso quanto o outro. De certa forma até agradeço por esta outra festa não ter sido no bar do Odil novamente, nem tão boa quanto aquelas que acontecem por lá. Sinceramente não sei o que poderia acontecer comigo desta vez. Logicamente que contou com a participação dos meus amigos, o Azambuja tentando arrastar os bancos de um lado para outro. Mas só tentou também, pois os bancos eram chumbados no assoalho... Sorte dos que lá estavam por isto. O Pereirinha se mostrava simpático e engraçado até; deu cambalhotas sobre os lustres do ambiente. Detalhe este que deixou o dono do boteco ligeiramente apavorado. Mas logo o fiz se acalmar num dos bancos que o Azambuja tentava inutilmente arrastar.

Mas creio que seja preciso parar de contar as aventuras da semana, pois minha cabeça está latejando, desde a terça-feira de manhã que tive de acordar para ir ao sanitário fazer algumas coisas. E quando pensei que fosse me acalmar me resgataram da cama para me levar a outro bar, beber e tudo mais... De novo. Agora estou aqui, esticado no sofá, enrolado num cobertor, pois faz frio agora, todo cheio de dores e enjôos. Do meu novo sobrinho não sei, nem dos meus amigos. Devem estar todos por aí, vasculhando as farmácias a procura de seus remédios preferidos, embora alguns sejam necessários tomar realmente. Quando sarar desta zonzeira sem tamanho farei minha contabilidade, talvez saber quanto gastei nesta folia seja importante... Ou talvez não. Mas agora peço licença para retornar ao meu repouso... Tenho a impressão de que minha cabeça vai estourar.


Quando sarar eu volto a falar com vocês. Portanto até qualquer hora.

Mario Bourges (escriba e porta-voz) - 00:11 [+]
...

This page is powered by Blogger. Isn't yours?