Ele está mais velho ainda, mais chato que nunca, mais feio que os outros, mais mau que ele próprio e mais sem-vergonha que qualquer um junto.

Coluna do Comendador Baltazar III

Creio que todos já saibam qual seja o conteúdo deste endereço, então não vou me cansar ou cansar os leitores com redundâncias ou redondices. O que desejo aos visitantes de agora em diante é que tenham uma ótima distração, ou, que simplesmente não me aborreçam.
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Domingo, Abril 06, 2008



As coisas pareciam estar tranqüilas no início da semana; a Olga passeando de porta em porta do prédio e colocando seus assuntos em dia com a vizinhança, as crianças indo para seus trabalhos e faculdades, o cachorro cagando por todos os cantos, latindo para o nada e babando pelo chão, o gatinho demonstrando suas capacidades de enfrentar as cortinas sem medo com suas pequenas garras afiadas, e eu aqui, sentado no pufe a observar uma mosca que voava em sua trajetória absurda pela casa, que tentava incansavelmente vencer a barreira dos vidros as janelas em colisões desmedidas e tolas. Na certa ela pretendia, logicamente que calcada em seu espírito empreendedor, sair para outros lugares, e assim, fazer das suas mosquices. Tudo bem, ela não conseguiu vencer tal barreira, então se cansou e pousou no chão. Foi aí que o cachorro entrou em ação; comeu-a sem dó com uma única bocada.

Cansado de ver tamanha destreza resolvi sair de casa, estava cheio de toda aquela atividade. E após quase uma hora pensando o que vestir para ir às ruas me obriguei a pegar uma cervejinha, pois já estava exausto de tanto pensamento. Foi aí que decidi em sair do jeito que estava, ou seja, com as calças de moletom que mostravam sinais de desgaste. Sabe quando os joelhos dessas calças ficam avantajados e ligeiramente esbranquiçados? Então. Bom, estava também com a tradicional camiseta regata, e esta com alguns furos espalhados por todas as faces, para completar o visual, um par de sapatos sem meia, claro. Queria estar à vontade para caminhar. Se bem que isto não faz a menor diferença, justamente pelo fato de que não consigo caminhar de maneira tranqüila, meu pé de plástico não permite tal tranqüilidade. Vez por outra ele procura um buraco para se enfiar... Ah! Esses pés de plástico são uma bosta mesmo.

Então estava eu, meu pé de plástico, minha coleção de peles flácidas espalhadas pelo corpo, meus cabelos ralos e meu par de olheiras tamanho família caminhando, todos juntos, em direção ao apartamento daquele outro militar aposentado. Aquele que mora no mesmo prédio que eu; sim, aquele que tem um cachorro e uma filha, ou neta, sei lá. Chegando lá já encontrei a porta aberta, digo, entreaberta. Tenho a impressão que ele tem algum sentido muito desenvolvido, pois ele deve saber quando vou à sua casa... Ou... Ele não costuma fechar a porta mesmo. Tanto faz também. Só sei que assim que entrei já ganhei uma lata de cerveja. O problema consistia no aonde sentar; estava tão amontoado de latinhas por todos os lados, em cima dos sofás, atrás deles também, sobre e sob o televisor... Na mesa da sala de jantar; aliás, sobre este móvel tinha até um castelo feito de latas. Uma verdadeira obra. Logicamente que não uma obra de arte, e sim, obra de quem não tem o que fazer. Na mente dessas pessoas qualquer coisa besta acaba por se tornar atividades sem nexo. Motivos estes que valem à pena serem comemorados.

Ã... Enfim, mais uma tarde sem nada para fazer. Eu com a minha coleção de pele sobrando, meu pé de plástico e outras coisas mais, todos sentados entre um mar de latinhas vazias de cerveja categoricamente amontoadas sobre um sofá fedorento. Ah, o... Não lembro do nome do sujeito que me acolhe, mas não vejo motivos para tanto, pois ninguém precisa chamar ninguém pelo nome, basta mostrar a face da lata e falar uma ou outra besteira que estará tudo resolvido. Quando muito comentamos sobre alguma coisa importante, e quando sentimos que é preciso dizer o nome da pessoa, por sei lá qual motivo, outra latinha surge para que tal detalhe se torne desnecessário. E desta maneira as horas passam em nossos relógios empoeirados sem grandes dificuldades. Depois disto é momento de voltar ao lar, mas não sem antes lançar um breve aceno para o companheiro das tardes vazias e estúpidas. Em seguida, vem a batalha de vencer o mar de latas que estão espalhadas por todos os cantos. E num festival de braçadas consigo sair daquele apartamento sem me afogar. Bom para mim, bom para ele, bom para ambos. Até para aqueles que vivem comigo, e ainda, é bom para a humanidade quando fico enfurnado em lugares deste tipo. Mas é isto, até a próxima.


Esta era a bobona da mosca que ficou dando bobeira até virar acepipe para meu cachorro.

Mario Bourges (escriba e porta-voz) - 23:03 [+]
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