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Terça-feira, Março 25, 2008
As tardes pareciam intermináveis nesta última semana, e ainda assim passaram muito rápido. Por um lado isto é bom, por outro, descubro que assim como as tardes minha vida também se vai. Mas isto é o caminho natural da vida. Bom, sei dizer que diante da chatice latente que reinava no meu apartamento resolvi passar uns dias da semana nos vários botecos existentes na região. Então lá fui eu e meu pé de plástico num misto de tropeçadas e caminhadas cambaleantes pelas calçadas tortuosas até os bares. E antes mesmo de beber qualquer coisa já parecia um bêbado pelo caminho. Tudo bem, não ligo de parecer um ébrio que anda pelos lugares parecendo sei lá o quê.
Logo no primeiro boteco que resolvi visitar dei de cara com o velho Eustachio sentado à mesa e esta forrada de garrafas vazias, naturalmente. Quem fazia companhia a ele, no momento em que cheguei, já estava dormindo, naturalmente. A dona Jurubeba, a proprietária do bar continuava com sua face escorrendo gordura, e ainda, rodando um pano de prato para ventilar o local onde ela se encontrava, naturalmente. Já as moscas que sobrevoavam o ambiente não se incomodavam com as rodadas frenéticas do pano. Vai ver elas até gostavam disto, pois devia refrescar-lhes... Sei lá.
Fiquei uma das tardes neste bar, mas cansei de ver a velha rodando o pano sem parar, o Eustachio resmungando coisas sem parar enquanto seu companheiro adormecido disputava um espaço vazio na mesa com as dezenas de garrafas também vazias. É, decididamente não queria ver aquelas coisas; fui para outro bar, naturalmente. No segundo estabelecimento vi o Beleléu atormentando um baixinho junto ao balcão, só por que este não conseguia alcançar os pés no chão enquanto ficava sentado na banqueta. Parecia maldade, mas até que estava engraçado ver aquela situação. A coisa só ficou feia quando o tal baixinho tirou um canivete do bolso e quis furar todo mundo; levou um tapa na nuca e se estatelou no chão... Naturalmente. Bem feito, pensei. Mas também não queria ficar ali vendo o semi-anão levar porradas até não poder mais. Então parti para outra.
O terceiro bar da tarde estava mais tranqüilo, só estava estranho ver a dona do estabelecimento usando aquele bigode. E mais estranho ainda foi ver uma chupação de beiços entre duas jovens num canto. Isto sem contar que tinha um rapaz muito magro rebolando descontroladamente do colo de outro rapaz também magro. Mas tudo bem; tinha uma gordinha se engraçando para mim... Não dei a mínima; naturalmente. Então paguei minha cerveja, minha vodca, minha água tônica com limão, meu conhaque e minha outra cerveja e fui embora... Naturalmente. Estava cansado de tanto ver coisas estranhas.
Havia um problema; não lembrava como voltar para casa. Sou um bosta, perco-me fácil. Tudo bem, caminho até encontrar alguém ou um lugar conhecido, pensei. Depois de mancar e tropeçar e sei lá o que mais me deparei com o bar que o velho Eustachio costuma freqüentar. Menos mal. E um tempo depois já me encontrava sentado no lugar do sujeito que dormiu a tarde toda na mesa junto com as garrafas. O que aconteceu com o sujeito? Estava dormindo no chão, do meu lado. Quanto a mim, estava lá, tomando mais algumas cervejas, e acumulando as garrafas vazias em outra mesa... Naturalmente. Como voltaria? À pé, oras. Mas isto não foi problema, estava perto de casa. Conhecia bem o trecho de volta. Sobre as outras tardes; foi um pé no saco. Passei as outras tardes com uma tremenda dor de cabeça e umas tonturas estranhas. Tudo bem; uma tonturinha ou outra dá até um temperinho especial em nossos cotidianos sem graça.
As jovens que aqui estão são as mesmas que mensionei há pouco, sim, aquelas que promoveram um estranho festival de chupões num canto do boteco.
MarioBourges (escriba e porta-voz) - 23:38 [+]
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